10º Encontro de Webdesign: o bom, o ruim e o feio

Ontem foi realizado o Décimo Encontro de Webdesign, promovido em Belo Horizonte, pelo Arteccom. Todo o sábado foi marcado por cinco palestras, que comentarei nesse post.

O design, a web e a agência digital abriu o dia. Cristiano D’Alcântara expôs a importância do profissional de design para a nova era digital. O design é primordial para uma empresa, salvando-a do vermelho. Apple, Samsung e BMW (a única empresa do mundo que tem um presidente designer!) seriam empresas que investiam bastante em design, conseguindo um ótimo feedback financeiro.

Além disso, D’Alcântara pôs em xeque o modelo tradicional de agência, com seus setores e divisórias. Esse tipo de agência estaria ameaçada por um ‘novo’ tipo de agência, em que todo profissional estaria preocupado com o resultado final. Quer dizer, o diretor de arte não se importaria só com o layout da peça, mas também com o atendimento ao cliente, por exemplo.

O palestrante também levantou um dado assombroso: segundo suas fontes, 7.100.000 de sites surgem a cada dia. Será um número tão grande assim?

Link: Faça o download dos Slides usados na apresentação.

A segunda palestra do dia, Webstandards foi ministrada pelo Prof. Everaldo Bechara. Já o conhecia dos artigos do jornal O Globo.

Como ele mesmo frisou, aquela era uma palestra não técnica. Bem humorado, conseguiu (ou tentou) explicar por que razão existiam os padrões web. Falou da guerra dos browsers, das tags proprietárias, da morte do HTML, da renderização dos navegadores e do futuro da web. Segundo o professor, os webstandards garantirão que meu site funcionarão em qualquer dispositivo que venha a surgir, seja ele uma geladeira ou um controle remoto. Além disso, mostrou o clicherizado case CSS Zen Garden, mostrando aos designers presentes que padronização não significa limitação de criatividade.

Enfim, ele soube mostrar todos os aspectos positivos dos padrões, alguns nem citados nesse post. A palestra dele me lembrou outra, a “Por que usar layouts com tabelas é estupidez“, hosteado no Brasil pelo Sérgio Jardim (será que ele estava no encontro?). No mais, fez merchandising de seus treinamentos na iLearn, ignorando a existência de dezenas de sites no Brasil sobre o assunto. É, ele precisa garantir o pão de cada dia.

Depois do almoço foi a vez de Ricardo Piólogo, do Mundo Canibal falar. Sua palestra, Animação em Flash mais pareceu um batepapo informal. Recém operado, Piólogo, palestrou sentado, respondendo diversas dúvidas (inclusive minha) do público.

Ele contou sobre seu trabalho de animador, que vinha desde a infância. O Mundo Canibal, segundo ele, tem mais de 2.000.000 de pages view só na página inicial e não copia outro famoso site, o Happy Tree Friends, mesmo porque o HTF veio depois do Mundo Canibal.

O que mais me chamou a atenção (e provavelmente a de todos) foi a sua forma de animação no Flash. Ele mostrou os .fla de famosos episódios, como a clássica Avaiana de Pau. A forma de trabalho deles é bem simples: o irmão Rodrigo Piólogo desenha a mão e a animação na maioria das vezes é feita quadro-a-quadro. Os desenhos são todos vetorizados e desenhados no próprio Flash e a trilha sonora (criada por eles mesmos) é gravada só depois do episódio animado.

Perguntei-lhe de onde vinha a inspiração para os episódios. Piólogo me respondeu que vem do dia-a-dia. Se acharem algo engraçado, escrevem em um papel e pregam em um painel. Hoje, o Mundo Canibal sobrevive sobre suas próprias pernas e é conteúdo do Portal Oi. Enfim, essa foi a palestra mais espetacular até então.

A penúltima palestra era sobre Flash, RIA, Workflow de projetos e dispositos móveis. Passar tantas horas sentado em cadeiras pouco confortáveis já estava cansando todos nós. No começo, achei a palestra bastante desinteressante: senti que o palestrante Artur Martins Mol estava nervoso, o que acontece com todos nós (inclusive eu) ao falar em público. Ele conceitualizou a Internet nas últimas décadas e previu para o futuro as Rich Internet Applications, um rótulo criado para a ‘nova’ geração de aplicações web. A partir desse ponto, mostrou o papel estratégico da Macromedia nesse mercado.

O Flex seria ideal para a criação dessas aplicações, já que sua integração com o Flash garantia aplicações leves, com menor tráfego em servidor e sem reload. Segundo ele, o HTML é limitado para aplicativos e só conseguiriamos uma aplicação funcional com o domínio de outras linguagens. De fato, mas com quem está a força: a Macromedia, com as caríssimas soluções proprietárias ou essa sopa de linguagens que ele citou, que se resumindo na sigla AJAX? Faço esse pergunta e dexio o link do Frederick van Amstel sobre AJAX vs Flash (curiosamente, meu nome aparece em uma das screenshots).

Mol também falou de dispositos móveis. O plugin do Flash também vem em celulares. Ele mostrou um jogo em seu próprio aparelho, o Nokia 6600. O Flash poderia tomar o lugar do Java em aplicações para celular, justamente por vir a ser concenso entre todas as marcas.

A palestra acabou quando achavámos estar no climáx da história. Não sei se foi por culpa da má organização ou do palestrante, que escolheu muitos assuntos para falar. Mesmo assim, achei bastante interessante.

A última palestra, Do Inferno ao Paraíso de Dante, proferida por Ronaldo Gazel foi muito interessante. Gazel planejou um material muito bom, mas novamente, o tempo, digo, a falta de tempo, atrapalhou.

O palestrante mostrou como todos nós sofremos crises de criatividade e deu-nos dicas para superar esse problema. São 10 passos que devemos seguir para termos um bom trabalho. Entre eles, devemos registrar todas nossas idéias – “A memória mais privilegiada perde para o pior dos papéis”. Devemor ter também uma atividade lúdica, para aliviar a pressão de um job. Trabalhar com nossos sonhos e metas também é importante, desde que eles possam ser realizáveis. Fazer um estudo e registro de nossas referências também ajuda nossa trabalho. Outras dicas dadas foram ter um olhar analítico, crítico do mundo ao nosso redor e amar sem medo de culpa.

A pressão para o fim dessa palestra prejudicou, na minha opinião, a troca de conhecimento. Quem sabe ano que vem.

Well, isso foi o que eu pensei do encontro. Tudo saiu bem, saíram brindes (saí de lá cheio de canecas, camisas, canetas e muitos folders), mas espero que no próximo encontro os palestrantes tenham mais tempo para falar.

Ah, esse título é uma alusão ao texto do Bruno Torres.

 

Leonardo

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